O colo de Deus…

Atualizado: 2 de Mai de 2020


L., 62 anos, administrador executivo numa empresa de equipamentos electrónicos, cresceu numa família onde foi iniciado na magia dos gestos de amor.

“Sabe?

Ontem, uma vez mais, adormeci a pensar na minha mãe que Deus tem.

Depois dela conheci muitas mulheres, mas nenhuma como ela.

Ela acordava-me de manhã como um sopro muito suave na testa ou a acarinhar o meu cabelo muito ao de leve com um dedo apenas…

Eu nunca acordava em sobressalto. Ela tinha este talento de me fazer acordar tão devagarinho que eu nem sentia a diferença entre estar a dormir e acordar.

Só ela, até hoje, conseguia acordar-me assim…

Quando hoje o dia me corre mal, quando eu vou angustiado com alguma coisa para a cama eu peço a Deus que me acolha no seu regaço. Ou ao pólo feminino de Deus. Ou a Nossa Senhora. Eu peço aquele colo que a minha mãe me dava e mais ninguém sabia ou soube como me dar.

É um colo protector, é um colo onde nada me pode acontecer e, mais que uma sensação de segurança, o que é mais vibrante e intenso é a sensação de estar envolto neste estranho Amor de mãe.

Muito raramente lá acontece eu adormecer e cair no colo de Deus…

E eu acho que aprendi com a minha mãe.

Quando a minha filha tinha 2 anos ela começou a acordar muitas vezes de noite e ficava em pânico por não nos ver ao pé dela.

Acredita que por vezes eu era tão rápido que ela nem tinha tempo de começar a chorar?

E não é preciso dizer nada realmente… Eu passava-lhe a mão pelo cabelo e sussurrava um “Shhhhh” em suspiro e dizia-lhe: “Está tudo bem, querida. Não se passa nada.” e ela caía com a cara na almofada e adormecia ainda antes de se conseguir aninhar-se na cama dela…”

Fiquei a pensar como é que uma memória tão antiga perdura tão tarde na vida de alguém, como é que reaviva os olhos deste homem uma luz tão intensa de conforto e calor, e a resposta que se me oferece é que a responsabilidade é do Amor.

Um Amor maternal.

Quem sabe um Amor feminino, que se prolongou na Alma deste homem.

Um dia será a sua filha a lembrar a alguém a Magia do seu pai.

E a uma grande parte (para não dizer a maior parte) das coisas inexplicáveis da Experiência Humana têm a ver com o Amor, enquanto experiência vivencial que encerra em Si todas as línguas mudas e faladas e atinge as Almas das pessoas nos seus recônditos mais silenciosos deixando lá uma marca eterna e indelével.


João Parente – Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta

Lisboa - Carcavelos - Cascais - Amadora - Sintra

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